domingo, 22 de janeiro de 2012

Blog do Lelê


Crec-crec no Cocoricó

Ontem eu entrei num lugar que eu nunca tinha entrado: numa tevê.
Não é que eu tirei a tela da tevê e entrei lá dentro, no meio dos fios. Até ia ser legal, mas não foi isso.
É que o meu tio ligou para um amigo dele e perguntou:
“Oi, Fernando. Quer jogar ping-pong?”
E o amigo dele respondeu: “Não dá, tenho que trabalhar”.
“Puxa, vou ter que jogar ping-pong com o Lelê de novo? Não aguento mais pegar a bolinha no jardim.”
“Por que você não traz o Lelê aqui no meu trabalho? Pode ser divertido.”
“É, pode ser”, o meu tio falou para o amigo dele. Depois ele desligou e disse para mim: “Lelê, vamos ver o Fernando trabalhar.”
Daí eu reclamei, né:
“Ah, não, tio! Eu não quero ver ninguém trabalhar. Isso vai ser muito chato. Aposto que ele é um professor e aí eu vou ter que ver uma aula, ou então é bibliotecário e eu vou ter que ficar sentado lá na biblioteca sem falar nada, ou então é escritor e a gente só vai ficar vendo ele escrever no computador.”
“O Fernando é diretor do Cocoricó.”
Daí eu corri para a porta e disse: “Vamos rápido, tio!”
E eu estava com pressa porque o Cocoricó é um programa bem legal. É com bonecos. O principal é o Júlio, mas tem um monte de outros. Eles moram numa fazenda, mas agora vão mudar para a cidade.
Bom, daí a gente entrou no carro, pegou o maior congestionamento e demorou um tempão para chegar num lugar chamado TV Cultura. Só que demorou mais ainda na portaria da TV. Lá tem um monte de guarda, mas é tudo bem devagar. O meu tio até estava começando a ficar bravo. Tanto que quando o Fernando foi buscar a gente na portaria, o meu tio disse:
“Fernando, a portaria da TV Cultura é a pior coisa do mundo.”
“Tem coisa pior”, o Fernando falou.
“O quê?”, o meu tio perguntou.
“O Flamengo. A gente não podia ter empatado com o Goiás.”
Daí o Fernando começou a reclamar do Flamengo e o meu tio até esqueceu da portaria.
 
Então a gente passou por debaixo desse negócio aqui:
E chegou num estúdio bem grandão, que é esse aqui:
Daí eu falei: “Fica tudo em cima desses paus por causa das enchentes?”
O meu tio botou a mão na minha cabeça, olhou para o teto e falou: “Ah, as crianças têm cada idéia...”
Mas o Fernando disse: “O cenário fica em cima desses paus para ficar mais fácil para os atores. Mas teve uma vez que teve mesmo uma enchente aqui e só o meu cenário é que se salvou.”
“Viu?”, eu disse para o meu tio. “Criança tem idéias ótimas!”
Bom, o cenário é bem legal. Tem até pichação de verdade. Eu entrei em tudo que é lugar até começar a filmagem, aí eu fui ver como é que era.
Uma coisa que eu não sabia é que ficavam duas pessoas embaixo de cada boneco. O ator cuida da boca e de uma mão do boneco, e outra pessoa fica com a outra mão. E mesmo assim dá certo.
 O pessoal fica assim na filmagem.

 Mas na tevê aparece assim.
O Fernando faz a voz do Júlio. Tinha uma mulher engraçada que fazia a voz de uma boneca japonesa e um ator baixinho que precisava de um sapato especial para ficar da altura dos outros. O baixinho fazia a voz da Vitória. Acho que a Vitória vai ser a namorada do Júlio no novo Cocoricó.
Os atores ensaiaram um monte de vezes e aí gravaram de verdade. E deu certo logo na primeira vez. Ficou bem engraçado.
Um treco que eu achei estranho foi que, quando eu estava vendo a cena, eu não olhei para os atores. Olhei para os bonecos. Parece que eles é que eram gente de verdade.
 Esse é o Fernando. E aquele treco na cabeça dele é o microfone.
 Daí eu pedi para o meu tio me colocar no ombro dele para eu ficar da altura dos bonecos, porque eu queria ver as coisas que nem os bonecos vêem. Ele deu uma coçada na cabeça e já ia dizer que não dava, mas aí o Fernando falou:
“Seu tio está muito velhinho, Lelê, ele não agüenta mais te levantar.”
Mas o meu tio disse: “Velhinho? Vou te mostrar quem é velhinho!”, e me colocou em cima dos ombros dele.
Foi legal ver as coisas lá de cima, só que durou pouco tempo, porque as costas do meu tio fizeram um crec-crec estranho e ele teve que me descer de lá. E depois ficou deitado um tempo lá no cenário. O maior vexame.
Coitado, acho que ele não podia ser ator de bonecos.
Bom, quem quiser ver o trailer do novo Cocoricó tem que clicar aqui.
E eu achei no Youtube um negócio bem legal, que foi um dia que teve um cocô cantando no Cocoricó! Para ver, é só clicar aqui
Tchau!
Por Lelê às 16h41

2 comentários:

Francis de Cristo - ilustrador disse...

Olá Fernando, tudo bem?
Primeiramente eu gostaria de parabenizá-lo pelo seu trabalho. É incrível.
Eu sou um ilustrador de Curitiba e participei de um projeto de livros didáticos de Música. Dê uma conferida no site http://www.editoraludo.com.br/site/
Agora estamos embarcando em um novo projeto e precisamos da sua arte. Por favor, se for do seu interesse, entre em contato comigo.
paocombife@gmail.com
Grande abraço.
Francis de Cristo

Lu disse...

Olá toda a Turma do Cocoricó, mas minha mensagem vai em especial para o Fernandinho Gomes.
Tenho 30 anos e duas filhas lindas, Isis, 9 anos e Bárbara Luíza 1 ano 4 meses.
Lembro-me a primeira vez que assisti ao Cocoricó lá por volta de 1994 (eu já adolescente). Desde muito pequena assisti muita televisão, em especial os programas infantis, saudosos programas da década de 80. E sempre gostei dessa coisa lúdica, que mexe mesmo com o nosso imaginário.
Hoje, mesmo com 30 anos me pego assistindo o Cocoricó com minhas filhas e com o mesmo imaginário, emoção, encantamento e alegria de quando eu era criança.
Quando minha primeira filha nasceu e já estava com mais de um ano, aos poucos ia observando quais tipos de programa mais atraía sua atenção. Os musicais e com muitas cores, aos poucos fui notando sua preferência pela Turma do Cocoricó, então a deixava livre, para assistir quando quisesse. Hoje ela está com 9 anos, e quando ouvimos as músicas de quando ela tinha um ano, nos recordamos de todo o momento vivido naquela fase: a maneira como cantava, dançava e qual música ela gostava mais. Ficamos ali recordando.
Minha segunda filha nasceu, hoje com 1 ano e 4 meses. E olha o Cocoricó participando em nossas vidas novamente e incrivelmente com o mesmo encantamento e alegria de anos atrás!
Me sinto muito feliz e poder participar da felicidade das minhas filhas e compartilhar também a minha felicidade de quando eu era criança, de vivermos a mesma fantasia, mesmo em épocas diferentes.
Me emociono quando vejo minha caçula assistir Cocoricó e balbuciar suas primeiras palavras, “nininho” (Júlio), “boi” (Mimosa), “avalo” (Alípio) e canta “chove, cho, chove” . Quando todas as noites, antes de dormir pede “cocó-cocó” e dorme ouvindo eu cantar pra ela “Laaaá vaaaamos nós”.
Obrigada Fernandinho Gomes, por fazer minhas filhas felizes e por unir nossas emoções através do tempo. Obrigada a toda Equipe, toda Turma, personagens. Obrigada por contribuírem com a educação das minhas filhas da forma mais bela, com a preocupação que vocês têm em fazer isso com milhares de crianças. Obrigada por influenciarem no gosto musical delas (assim como tantos outros bons músicos infantis). Acreditem vocês fazem parte da vida de muitas crianças e ainda fazem parte da vida das mães dessas crianças!
Luciana Oliveira
Mãe de Isis Oliveira e
Bárbara Luíza